Em clima de encerramento e confraternização, as meninas do Futebol Feminino de Itatiba se reuniram na última semana para uma confraternização, se despedindo desse ano atípico e já planejando os próximos passos.
A equipe se preparava para a segunda fase do 37º Jogos Abertos da Juventude que aconteceria em abril, quando foi surpreendida pela pandemia de coronavírus, que cancelou treinos e também frustrou as expectativas das entusiastas da modalidade que estavam preparadas para os desafios de 2020, como a participação nos Jogos Regionais.
"Começamos o ano com muitas expectativas, no dia 19 de fevereiro tivemos nossa seletiva que chamou a atenção de diversas garotas tanto de Itatiba quanto de cidades vizinhas, acolhemos um número significativo de atletas que ajudou a compor o elenco da seleção itatibense", destacou o Secretário de Esportes, André Hungaro. "O interesse pela modalidade cresceu muito após a transmissão da Copa de Futebol Feminino de 2019 no qual tivemos uma excelente atuação da Seleção Brasileira", lembrou André.
As meninas mataram um pouco da saudade de pisar no gramado, vestir o manto e o mais importante, bater uma bolinha entre amigas, sempre tomando os cuidados necessários como a utilização de álcool em gel e distanciamento.
"Tenho muito orgulho em ser técnico dessa equipe, começamos com um projeto tímido em outubro de 2019 e em pouco tempo já conseguimos alavancar essa proposta, estabelecendo categorias que começam no sub 14 e chegam ao adulto" contou Rodrigo Santos, que as meninas carinhosamente chamam de Digão, treinador do time itatibense formado pela Sitrefesp. "Em Itatiba a seleção conta com o apoio da população que é a nossa grande torcida, com o apoio pleno da Secretaria de Esportes e de todos os que nos ajudam a crescer cada dia mais. E peço as meninas que não desistam dos seus sonhos, que não dê ouvidos aos que dizem que vocês não podem fazer, vocês são exemplos de superação, sempre com muita dedicação e esforço" finalizou o professor.
Para manter o preparo físico durante o ano os treinos continuaram de forma remota, por meio de atividades virtuais sendo gravadas e enviadas para a equipe por meio de redes sociais, com exercícios adaptados para que pudessem ser feitas em espaço reduzido e adequando as suas necessidades, além do incentivo para que mantivessem uma alimentação saudável e que seguissem todos os cuidados estipulados para combater o coronavirus.
DESAFIOS
Além da paralisação de treinos e competições por causa do Covid-19 o Futebol Feminino enfrenta alguns outros inimigos, como o preconceito e a falta de apoio.
"Eu diria que as meninas podem enfrentar muita dificuldade pelo caminho, não será fácil, mas que elas continuarem olhando para seus objetivos, que independente das dificuldades, independente de receberem apoio, se é isso que elas querem para a vida delas que continuem lutando até esse objetivo seja alcançado, se o objetivo for ser profissional, então que lutem e que foquem nesse objetivo, independente de tudo", reforça Luana Marinho, preparadora física da equipe.
"Desde o início, quando comecei na graduação de Educação Física já me imaginava trabalhando com o futebol, sabia que era uma área um pouco difícil por ser mulher, mas mesmo assim eu continuei lutando, me capacitando e venho quebrando barreiras e tendo grandes oportunidades, inclusive em times masculinos", explicou Fernanda Flaiban, preparadora de goleiras. Fernanda também lembrou de uma das principais dificuldades enfrentada pela comissão técnica: "O que mais dificulta o nosso trabalho, por exemplo, é a falta de apoio e incentivo, como o de alguns familiares por exemplo, que não aceitam que as meninas venham treinar, venham participar do esporte, o que reduz o número de meninas na escolinha e também de rendimento para campeonatos".
O apoio e incentivo de familiares e amigos fortalece o desempenho das meninas que contam com uma importante torcida. "Eu conto com o apoio do meu pai e da minha mãe, mas no começo eles não aceitavam muito bem, já que era considerado um jogo de meninos e eles tinham medo que eu me machucasse" contou Giulia Momentel Euzébio, de 15 anos, membro do time e que desde pequena já se mostrava apaixonada por futebol chutando bola e quebrando vidros dentro de casa. A lateral direita do time itatibense não possui muitos ídolos, mas admira os jogadores Marta e Neymar.
A luta para o futebol feminino continua rompendo barreiras e incentivando uma nova geração de atletas que cada dia lutam pelo seu espaço e motivos para isso não faltam, um que chamou bastante a atenção da equipe itatibense foi o da árbitra de futebol francesa Stéphanie Frappart, que foi a primeira mulher a apitar a Champions League (Liga dos campeões da UEFA), ela que também foi a primeira a apitar uma partida da Supercopa da Europa.