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02 SET 2014
CULTURA: Criançada participa do ‘Álbum das Figurinhas’
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Com duas apresentações e uma oficina, o espetáculo infantil 'Álbum das Figurinhas' da Balangandança Cia. foi a grande sensação do final de semana em Itatiba para a criançada. As duas sessões no Teatro Ralino Zambotto, nos dias 30 e 31 de agosto, contaram com um excelente público e muita gente que assistiu fez questão de participar da oficina. Uma participação que gerou elogios dos próprios artistas. "Estamos amando. Achamos a plateia muito receptiva e as crianças captaram os jogos e na hora da interatividade dançaram muito. Talvez pelo fato de elas virem sempre ao teatro, de ter esta possibilidade. Aqui é um lugar confortável, seguro, que elas podem assistir e vir sempre", comentou a diretora do espetáculo, Geórgia Lengos. A apresentação contou com o apoio do Proac - Programa de Ação Cultural, em parceria com a Prefeitura de Itatiba.

Álbum das Figurinhas é um espetáculo que fala para as crianças, aproximando o brincar do fazer artístico. O espetáculo é uma coleção de movimentos, brincadeiras e danças reunidas pela Balangandança Cia. durante os últimos três anos. "Essa é a pesquisa do Balangandança desde o começo. Sempre achei que o brincar para a criança é como se fosse a dança para o adulto. A brincadeira é que faz o link maior de comunicação com a criança. Acho que a criança consegue reconhecer essa relação. Não só das brincadeiras concretas, como esconde-esconde, mas das brincadeiras invisíveis, do próprio brincar. Do estar solto, do jogo, do improviso. Acho que isso faz com que ela consiga entrar no espetáculo", explicou Georgia.

A ligação entre o universo da brincadeira e da dança/arte mostra o quanto as duas coisas estão entranhadas no espírito humano, e o quanto a criança tem acesso a esse espírito de uma forma que o adulto não tem. "Essa coisa do brincar, quando não vira arte, vira uma coisa criativa. Mas, a brincadeira em si é uma coisa que os adultos perderam. Essa flexibilidade de não levar tão a sério, de poder ser flexível, de poder viajar entre o que é concreto e a imaginação. Os adultos param de se permitir e com isso se perde um pouco da essência da humanidade", completou a diretora do espetáculo. Em cena, os bailarinos se revezaram entre danças, brincadeiras e canções executadas ao vivo. As cenas são independentes, abertas à improvisação e pensadas como uma ‘coleção de figurinhas', que são trocadas, colecionadas, coladas e repetidas - tudo em uma grande brincadeira lúdica. A dança se apresenta como uma possibilidade lúdica de troca com a plateia que se identifica, interage e se emociona.

Valendo-se da simplicidade dos recursos cênicos (caixas de papelão, carrinhos de lata e papel, peles de instrumentos de percussão) e da valorização dos movimentos do corpo, o espetáculo aborda temas como o amor, o crescimento, a sensibilidade, a imaginação e as memórias da infância. Álbum das Figurinhas coleciona e faz lembrar sensações e sentimentos carregados de significados, histórias, memórias compartilhadas que, aparecendo como pessoais, podem ser gerais. "Esse trabalho tem um tempo um pouco mais lento. A coisa do sensível, do escutar, o crescer, a morte, que a gente trata de um jeito poético. Apesar de ser álbum das figurinhas e não ser óbvio, uma coisa tem a ver com a outra. O buraco tem a ver com o buraco da morte. A gente não fala, a gente não quer a criança entenda isso, mas essa coisa do sensível, como as coisas se misturam, isso faz parte da vida", explica Georgia.

O próprio espetáculo é a materialização da brincadeira como arte. "A dança é abstrata. Não acredito muito em trabalhos de dança que contam uma história no começo e depois representam. Acho que a dança tem o poder de comunicar sem precisar contar uma história. Mais pela sensação, pela percepção do corpo, do movimento. E sensação, percepção, movimento e brincadeira é criança. A gente treina isso para estabelecer a comunicação. O desafio é a gente conseguir com isso criar artisticamente", finaliza a diretora.

Sobre a Balangandança Cia.

A Balangandança Cia. desenvolve há 16 anos um trabalho pioneiro e continuado de pesquisa em dança contemporânea, especificamente voltado para o público infantil, respeitando-o como espectador criativo e participativo.

Tem como foco a pesquisa de linguagem corporal, cênica e estética articulada com a proposta educacional e didática de dança contemporânea para crianças e propõe uma concepção específica sobre o assunto: oferecer à criança a possibilidade de apreciar espetáculos de dança de qualidade, resgatando o lado lúdico, saudável e criativo do corpo, pesquisando o cotidiano lúdico infantil e investigando a relação entre composição coreográfica e improvisação.

Além disso, a Cia. sempre desenvolveu projetos compartilhando seu trabalho com o propósito de estimular a reflexão sobre o assunto e fomentar a produção artística na área. Isso acontece a partir de ações variadas como: realização de fóruns, seminários, publicações, blogs, oficinas para crianças e educadores.

 

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